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Tendência 2026 na comunicação corporativa: use a IA para medir, personalizar e agilizar

Nós, seres humanos, continuamos dando direção, contexto e sensibilidade. Mas será a dobradinha com a máquina que vai levar a interação da empresa com seus públicos para outro patamar 

Não é exagero dizer que o chatGPT é o grande responsável pela massificação do uso da Inteligência Artificial. Popularizada no final de 2022, a IA generativa vem revolucionando a maneira como as pessoas e as empresas se comunicam, trabalham e produzem.

No caso da comunicação corporativa, mais do que tendência, a IA se tornou imprescindível. Para dar uma ideia do que isso quer dizer, um levantamento global da firma de consultoria PwC realizado em 2023 indicou que mais de 70% dos executivos entrevistados usam IA em algumas frentes de negócios, e que comunicação e marketing aparecem entre as áreas mais impactadas. Como "efeito colateral" do uso massivo dessa tecnologia, cresce um medo bem compreensível: o receio de que a IA “roube” o lugar das pessoas nas equipes de comunicação.


Stacey Jones, Diretora de Comunicação da Honeywell, multinacional americana de tecnologia aeroespacial, segurança e  automação predial e industrial aposta no contrário. Para ela, pessoas e tecnologia precisam atuar juntas, principalmente em temas estratégicos, sensíveis ou que envolvem o alto escalão e o mercado financeiro. Em uma entrevista  ao videocast Aspire to Inspire, que discute como líderes usam a comunicação a favor dos negócios, ela foi direta: em momentos críticos, a comunicação tem que ser gerida por pessoas.


"A inteligência humana deve aparecer de forma clara no início e no fim do processo de comunicação. A Inteligência Artificial joga no meio de campo." Stacey Jones, Diretora de Comunicação da Honeywell

Traduzindo para o dia a dia: o começo é o prompt – o comando que se dá para a IA criar um texto, uma imagem, um código. O fim é a edição, a checagem, o ajuste fino, a pergunta “isso faz mesmo sentido para a nossa realidade?”. Aqui, o que está em jogo é o que as máquinas ainda não entregam bem: discernimento, leitura de contexto, capacidade de perceber nuances políticas e culturais, entender o clima organizacional, reputação e o famoso “jeito da empresa”. Tudo isso continua sendo território da inteligência humana.


Para garantir esse “toque humano”, cada vez mais se fala em man-led content: conteúdo digital que não nasce 100% da Inteligência Artificial, mas que tem gente em todas as etapas-chave – curadoria, criação, edição, validação. Com essa base bem clara, dá para aproveitar com mais segurança tudo o que a IA oferece para deixar a comunicação corporativa muito mais eficiente:


  • Mensuração de resultados - Um dos maiores desafios da área de comunicação sempre foi provar, em números, seu impacto nos resultados do negócio. Falar apenas de views, curtidas e cliques não dá mais conta da conversa com o C-level. Ferramentas de análise apoiadas em IA e machine learning conseguem ir além: cruzam dados de engajamento, comportamento de audiência, vendas, entre outros, traduzindo tudo em indicadores que falam a língua do negócio.

    Estudos de consultorias como Deloitte e McKinsey apontam que empresas que usam analytics avançado em comunicação e marketing têm probabilidade significativamente maior de superar concorrentes em crescimento de receita e retorno de investimento em mídia. Em um cenário de pressão por eficiência, essa capacidade de mostrar “quanto a comunicação trás para a mesa” deixou de ser diferencial e para se tornar requisito.


  • Hiperpersonalização -  A ideia de que “um conteúdo serve para todo mundo” já não se sustenta, especialmente em EAD e comunicação interna de larga escala. Plataformas de LMS (Learning Management System) e LXP (Learning Experience Platform) usam IA generativa e algoritmos de recomendação para montar trilhas personalizadas, sugerir conteúdos com base no perfil de cada pessoa e acompanhar seu progresso em tempo real. Na prática, empresas que usam esse tipo de solução relatam que os colaboradores aprendem mais rápido, lembram melhor do que foi ensinado e se engajam mais em programas de treinamento e comunicação interna.

  • Apoio nas crises -  Em situações emergenciais, duas coisas contam muito: velocidade e empatia. A IA pode ajudar – e bastante – na primeira, sem substituir a segunda. Agentes de IA (softwares que usam Inteligência Artificial para coletar e processar informações, sugerir ações e até executar algumas tarefas de forma autônoma) conseguem, por exemplo, monitorar redes sociais e imprensa em tempo real, identificar temas sensíveis que estão ganhando tração, sugerir respostas iniciais, organizar FAQs e apoiar equipes de atendimento. Empresas que já passaram por crises reputacionais sabem que  ter processos e ferramentas prontas reduz muito o tempo de resposta e o desgaste. A IA entra como aceleradora desse processo, ajudando a levantar cenários, a simular impactos, a preparar rascunhos de comunicados para públicos diferentes e a identificar ruídos antes que se transformem em um problema maior.  Mas a palavra final - o tom, o posicionamento, o que deve e o que não deve ser dito - continua na mão das pessoas. Estamos conversados?

 
 
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