Vídeos produzidos com IA precisam de supervisão humana
- há 2 dias
- 4 min de leitura
Não resta dúvida de que essa tecnologia está revolucionando a produção audiovisual. Mas o final nem sempre é feliz, porque a Inteligência Artificial ainda comete erros que podem colocar o resultado a perder

Tudo começou a acelerar no final de 2022 com o lançamento do ChatGPT pela empresa americana de tecnologia OpenAI, a ferramenta que popularizou o uso da IA generativa. Esse tipo de Inteligência Artificial vai além de classificar ou analisar dados existentes e utiliza redes neurais — inspiradas nas do cérebro humano — para criar conteúdos originais e inovadores, que podem ser textos, vídeos, imagens, áudios e códigos.
Entre outras coisas, o ChatGPT impulsionou o aparecimento de plataformas de IA generativa específicas para vídeos, como Sora, que é da OpenAI, e Runway, da Runway AI, outra empresa de tecnologia dos Estados Unidos. Na produção audiovisual, a IA acelera processos, como a criação de roteiros e as edições iniciais, entregando resultados rápidos e, muitas vezes, surpreendentes. Mas, como nem tudo é perfeito, os vídeos totalmente gerados por IA podem apresentar alguns problemas, já que essa ferramenta ainda não superou a inteligência humana em tarefas complexas como a produção audiovisual.
"A IA representa um importante recurso de apoio na produção de vídeos. No entanto, a participação humana é indispensável em todo o processo criativo e técnico, desde a elaboração dos prompts até a curadoria, edição e finalização do material.” Ricardo Tadashi, sócio e CAIO (Chief Artificial Intelligence Officer) da Jabuticaba Conteúdo
Sem final feliz...
Mas, afinal, o que pode dar errado em um vídeo totalmente produzido com IA? Quem responde é o próprio Tadashi, explicando as falhas mais comuns, que comprometem as imagens, as legendas e os letterings, e até mesmo o processo criativo:
efeito "Vale da Estranheza" - A IA pode pecar bastante ao reproduzir a anatomia humana, criando, por exemplo, mãos com seis dedos e narizes distorcidos ou errar feio nas proporções;
imagens incoerentes - Em cenas mais complexas, a Inteligência Artificial pode falhar na distribuição espacial dos elementos do vídeo, criando efeitos de luz e sombra que não têm nada a ver com o contexto. Outros erros relativamente comuns são fundo borrado e cenário confuso;
legendas e letterings com erro - Em alguns casos, a distorção acaba deixando o conteúdo incompreensível;
falta de sincronia entre áudio e imagem - A sensação é a mesma de assistir a um filme mal dublado, em que a fala não condiz com o movimento da boca dos avatares;
baixo controle criativo - Mudanças mínimas no prompt podem alterar o resultado radicalmente. Também pode acontecer de a Inteligência Artificial ignorar o prompt e seguir uma estética aleatória;
resolução ruim - Para ganhar nitidez, alguma imagens precisam ser ampliadas. Mas, se a resolução é baixa, o que acontece é justamente o contrário;
repetitividade - A IA tende a gerar imagens semelhantes, fazendo o vídeo ficar com cara de "mais do mesmo";
deepfakes e desinformação - Existe um risco potencial de uso de imagens criadas artificialmente e não consensuais.
viés algorítmico - Aqui, o que acontece é a reprodução de estereótipos relacionados à raça e gênero, por exemplo, com avatares de CEOs representados por homens brancos, e imagens femininas sexualizadas.
riscos legais - Replicação de obras protegidas por direitos autorais.

Na Jabuticaba, a IA está presente no dia a dia da produção de conteúdo, seja apoiando pesquisas ou revisando a gramática e a ortografia de textos. Funciona como um assistente que agiliza, por exemplo, a criação de um roteiro de vídeo. O ponto de partida é um prompt detalhado do roteirista, mas cabe ao profissional verificar coerência e encadeamento das ideias, se o storytelling entrega o que está no briefing do cliente, se é emocionante e engajador etc.
Segundo Tadashi, a IA também resolve um outro problema que era bem comum na produção de vídeos: o cliente querer mudar o texto depois que a locução já estava gravada. "Isso gerava custos, pois os locutores são profissionais autônomos, vivem do seu trabalho. Agora, geramos a locução por IA para as versões iniciais de aprovação e só acionamos a locução humana quando está tudo certo", explica. A Inteligência Artificial também é útil para gerar imagens e áudio, mas a versão criada pela IA passa pelas mãos de nossa equipe de edição de vídeo antes de seguir para o cliente. "Como a IA alucina, ela pode colocar um carro na contramão ou com as placas de trânsito escritas ao contrário. É preciso acertar tudo na ilha de edição", diz Tadashi.
Como se viu, a IA ainda precisa de supervisão humana. "Aqui na Jabuticaba, a IA é funciona como co-piloto. Nós é que estamos no comando", finaliza o CAIO.
Quer saber como a IA generativa pode contribuir para o seu projeto, sem deixar o lado humano de lado? Venha conversar com a gente.




