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Já ouviu falar em self skills?

Consultor Pedro Mello defende que, além das hard e das soft skills, é preciso investir em autoconhecimento - que não é coisa apenas da vida pessoal, mas também das empresas

Pedro Mello idealizador do projeto Pandora e pai da Bella, uma linda menina de 11 anos: autoconhecimento como ferramenta de transformação nas empresas
Pedro Mello idealizador do projeto Pandora e pai da Bella, uma linda menina de 11 anos: autoconhecimento como ferramenta de transformação nas empresas

Popularizada pelo filósofo grego Sócrates, a máxima “Conhece-te a ti mesmo” pode provocar uma revolução no mundo corporativo. Além das hard skills e das soft skills, é preciso investir nas chamadas self skills, competências que têm a ver com o autoconhecimento.

Esse é o mote do projeto Pandora, que foi idealizado no final de 2021 pelo psicoterapeuta Pedro Mello, que há mais de uma década é contratado por empresas que estão passando por crises operacionais. No caso de Pandora, o foco é o autoconhecimento. Afinal, quando alguém se transforma, impacta positivamente todos os que estão ao seu redor - e isso vale tanto para a vida pessoal quanto para a carreira. Pandora - Perfeito para Lideranças.Viva uma Experiência Libertadora de Autoconhecimento, da editora skoobooks, apresenta o embasamento teórico do projeto. E o Workbook traz cases e propostas para desenvolver as self skills.

Mello conversou com o blog da Jabuticaba sobre o projeto, o poder do autoconhecimento para transformar a vida pessoal e a carreira, e a importância de desenvolver as chamadas self skills em um mundo que atravessa uma epidemia de adoecimento mental. Ano passado, por exemplo, foram mais de 500 mil afastamentos do trabalho relacionados à saúde mental, o segundo recorde consecutivo da década - o primeiro foi em 2024, com 470 mil afastamentos. O que é Pandora?

Pandora nasceu no final de 2021 como um projeto pessoal para dar vazão a um trabalho que eu estava fazendo e que tem a ver com o que venho realizando nos últimos doze anos: contribuir com o processo de transformação de empresas no que diz respeito à mudança das pessoas, principalmente fundadores e alta liderança.

Na época, eu estava estudando abordagens terapêuticas mais modernas, focadas em questões humanas essenciais e resolvi integrar o conceito de autoconhecimento ao ambiente corporativo, já que ainda existe a ideia de que autoconhecimento e desenvolvimento emocional não têm nada a ver com o que se passa no ambiente de trabalho - o que é uma visão muito limitada. Cerca de 180 lideranças participaram dos experimentos de Pandora, em diferentes níveis de profundidade. No terceiro ciclo, que terminou em 2024, iniciei o trabalho de documentar tudo. Foi esse conteúdo que deu origem ao livro.


Em 2025, mais de 500 mil pessoas tiveram que se afastar do trabalho por problemas ligados à saúde mental. Como você avalia esse cenário?

Acho que esses 500 mil afastamentos são a ponta do iceberg. Tem muito mais gente com problemas relacionados à saúde mental, pessoas que tomam ansiolíticos, por exemplo, ou que usam álcool e drogas para anestesiar a dor emocional. Estamos em um momento bem desafiador. Toda a nossa construção mental, a  imagem que temos de nós mesmos é ligada ao fazer e ao não fazer. Essa é a matriz original: o que eu faço para agradar meu pai e minha mãe e o que não devo fazer para desagradá-los. Isso se repete na escola, na faculdade, no trabalho… As pessoas acabam ficando presas nisso. O problema é que, com o tempo, ficar preso em uma identidade baseada em máscaras para ser aceito socialmente e pertencer a um grupo acaba prejudicando a saúde mental. O trabalho de Pandora é trazer essa consciência para dentro das empresas. 

O que são as chamadas self skills e por que elas se tornaram tão importantes no mundo atual - o corporativo, inclusive? As self skills são a origem de tudo. Elas têm a ver com emoções e sentimentos que dão origem a crenças, pensamentos, comportamentos, hábitos e decisões que vão definir a capacidade de a pessoa se autorresponsabilizar pela realidade criada por ela, de se autorregular, ou seja, de conseguir lidar com os picos e os vales das emoções.  E é aí que começa a autoliderança, já que eu não consigo fazer fora o que não faço dentro de mim. Os experimentos de Pandora mostram que a compreensão sobre o mundo interior das pessoas em seu ambiente de trabalho é de grande valia para entender a origem de suas habilidades emocionais que, no final das contas, definem a qualidade das relações. Por isso, não é exagero dizer que o autoconhecimento é o único caminho para transformações verdadeiras - e sustentáveis - na cultura organizacional.

A experiência de autoconhecimento que Pandora oferece é focada nas lideranças, já que, no final das contas, os líderes definem como o time trabalha, se relaciona e materializa o que a empresa entrega para os clientes - consciente ou inconscientemente. E a questão é que a maior parte dos líderes carrega um peso enorme e dificilmente fala “eu preciso de ajuda” ou “eu não sei o que fazer”. A ideia é trazer tudo isso à tona e mostrar que existem caminhos para sair dessa rota de colisão.


Você acha que ainda existe preconceito no mundo corporativo quando se fala em autoconhecimento como algo importante para a performance profissional e dos negócios?

Eu não diria que existe preconceito, mas desconhecimento. Ainda vivemos em um mundo patriarcal, machista, masculino, onde a maioria dos líderes é homem. E as poucas mulheres que se tornaram líderes, conseguiram isso exercendo o seu lado masculino. Então, o mundo das empresas é muito masculinizado, no sentido de que tem como base “conquistar e proteger” - conquistar patrimônio, clientes, espaço, território e proteger tudo isso para que ninguém tome o que foi conquistado. Digo que ainda somos vikings por causa dessa mentalidade de competição predatória, que tem levado as pessoas a olhar o tempo todo para números, resultados e metas de curto prazo. E, quanto mais elas fazem isso, mais saem do momento presente, que é o único lugar em que conseguiriam, de fato, fazer algo diferente pela empresa.


Por que você diz que o primeiro passo do autoconhecimento é assumir o Eu?

O Eu é uma ferramenta de autoconhecimento. Vou dar um exemplo: recentemente, eu estava trabalhando com um grupo de dez empreendedores e a conversa era sobre gatilhos emocionais. Eles diziam coisas assim: "a gente perde a razão", "a gente perde o controle" - a maioria das frases começava com "a gente". Então, pedi que repetissem as frases, usando "eu". Esse recurso simples ajuda a tomar consciência do que estamos fazendo conosco, traz autorresponsabilidade. Há muitas outras coisas envolvidas no processo de autoconhecimento, mas eu diria que a autorresponsabilidade é uma das chaves para colocar a pessoa como observadora de suas narrativas, observadora do drama que está sendo construído. É uma forma de ter clareza do que está acontecendo e de como costumamos repetir os mesmos padrões anos a fio. E como é que se aprimora essas auto-habilidades? Existem inúmeros caminhos. A leitura do livro de Pandora é um deles, fazer psicoterapia, de qualquer tipo, também. Existem várias práticas de autoconhecimento. Por exemplo: as empresas vêm adotando cada vez mais a Comunicação Não Violenta, que é uma forma de autoconhecimento, porque coloca as pessoas diante de necessidades não atendidas e dos sentimentos que são gerados a partir disso. As rodadas dos gatilhos emocionais, que citei antes, fazem as pessoas darem um salto quântico em relação ao autoconhecimento. É preciso considerar que toda a nossa realidade e a de todo mundo a sua volta é construída pelo mundo interior que está instalado no subconsciente de cada um. E, para mudar isso, o autoconhecimento é a saída.


 
 
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