Cinco gerações em um escritório só: trabalhe com um barulho desses
- Jabuticaba Conteúdo
- 13 de jun.
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Atualizado: 17 de jun.
Um dos grandes desafios corporativos atuais é colocar equipes formadas por gente de idades diferente pra trabalhar junto - e bem. Para isso, haja flexibilidade e, fundamental, uma comunicação sem entrelinhas

Para quem é pai, tio ou avô e sente dificuldade de acompanhar os assuntos, os valores e até o vocabulário dos parentes mais jovens, imagine o que acontece quando essas diferenças saem da sala de casa e vão parar na sala de reunião. No mercado de trabalho, esse desafio é ainda mais complexo - e, ao contrário do que acontece em família, a convivência não é opcional. Hoje, cinco gerações diferentes se cruzam nos corredores das empresas: os Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964), a Geração X (1965/1980), os Millennials ou Geração Y (1981/1996), a Geração Z (1997/2010) e, em alguns casos, tem até gente que nasceu depois de 2010, o pessoal da Geração Alpha, que entra como jovem aprendiz.
"O conflito geracional sempre esteve presente nas empresas, mas costumava ser algo menos complexo, por envolver até duas gerações. Com o aumento da expectativa de vida e carreiras mais longevas, temos cinco gerações presentes no mesmo ambiente de trabalho, o que é de um ineditismo relevante" Lina Nakata, uma das coordenadoras da pesquisa Lugares Incríveis para Trabalhar, que é realizada pela FIA Business School e publicada pelo Estadão
Recentemente, uma trend (vários vídeos com o mesmo tema) viralizou no TikTok, a rede social queridinha da Geração Z. Em todos, uma mensagem do tipo: "Quando você tem 21 e sua melhor amiga no trabalho tem 40”. O meme reflete a realidade de ambientes profissionais cada vez mais diversos em termos de idade, onde gerações que cresceram com Walkman, MSN e TikTok dividem o mesmo espaço e decisões. Mas, ao contrário dos almoços de domingo, onde o embate de opiniões pode ser suavizado por uma boa comida, no escritório, o tempero precisa ser outro. Comunicação, empatia e escuta ativa viram ingredientes indispensáveis para que esse mix etário não desande.
Se em casa o tio pode entrar escondido no Google para entender o que o sobrinho disse, no trabalho, um líder que ignora o que motiva cada geração corre o risco de ver os talentos mais jovens de sua equipe tomarem outro rumo. As motivações de cada geração são diferentes. Os Baby Boomers, por exemplo, valorizam estabilidade profissional e lealdade à empresa. A Geração X também, mas colocou mais um ingrediente nessa receita: a busca por equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Os Millennials, por sua vez, querem crescer rapidamente na carreira, não lidam bem com hierarquia e não vêem nenhum problema em trocar de emprego toda vez que a empresa não atender mais seus anseios. Já a Geração Z quer impacto social, autenticidade e diversidade - e não abre mão de que tudo isso esteja refletido na cultura da empresa.
Sem propósito, nada feito
Cerca de 20% dos Millenials e quase um terço da Geração Z planejam mudar de emprego nos próximos dois anos. O dado é da pesquisa Gen Z & Milennials 2025, da consultoria global Delloite. Uma combinação de fatores está por trás disso: melhores condições de trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, remuneração mais justa e… propósito.
Aliás, não é exagero dizer que, para essas gerações, propósito é inegociável: 92% dos Millennials e 89% da Geração Z dizem se tratar de algo essencial para garantir satisfação na carreira. E mais da metade desses profissionais afirma considerar “trabalho significativo” como requisito ao avaliar uma nova oportunidade profissional. E isso, claro, tem relação direta com a cultura da empresa: quando os valores pessoais se alinham com os da organização, os índices de felicidade praticamente dobram - outra das conclusões do estudo da Deloitte.
Diante disso, os modelos tradicionais de liderança, de comunicação interna e até mesmo os planos de carreira estão sendo repensados. Faz alguns anos que a trajetória profissional linear, que sobe verticalmente de acordo com o tempo de casa, não dá conta de acompanhar o dinamismo e a inquietação das gerações mais jovens. E é aí que os Millenials entram como um elo forte dessa corrente. Tendo crescido em um mundo analógico e amadurecido na era digital, eles costumam ter uma boa interlocução com os mais jovens, que são nativos digitais.
"Atualmente, a geração dos Millennials, que era considerada totalmente disruptiva quando ingressou no mercado de trabalho, é a predominante no mundo corporativo, e também a mais presente nas lideranças", diz Lina, que também é professora de disciplinas ligadas a recursos humanos. Os dados comprovam: Millenials são maioria nas 318 empresas que participaram da edição 2024 do levantamento realizado pela FIA (56%). Depois vêm a Geração X (22,5%), a Z (21%) e os Baby Boomers (0,5%). Com o tempo, segundo Lina, os Millenials foram se moldando às gerações anteriores, e agora enfrentam a geração Z, com novos princípios e crenças. Comunicação sem entrelinhas A convivência intergeracional ainda não está acontecendo como deveria. Em algumas situações, o que se vê é um verdadeiro cabo de guerra: de um lado, os que preferem reuniões e trabalho presenciais; de outro, o pessoal que é fã do home office; tem também aqueles que confiam mais quando as coisas são acertadas por email, e os que só falam de trabalho via DM ou WhatsApp.
O que pode ajudar a driblar essas diferenças é a comunicação, é conseguir falar com todos esses públicos. Algumas empresas adotam práticas que contribuem para melhorar a convivência intergeracional: rodas de conversa, capacitação tecnológica e cultural, além de políticas de trabalho flexível. Outra prática que está crescendo é a mentoria reversa (onde profissionais mais jovens compartilham conhecimentos com os mais experientes), já uma realidade em empresas como Siemens Brasil, Bayer, IBM e Microsoft. Tudo isso contribui para a criação de um ambiente onde, além de respeitadas, as diferenças viram vantagem competitiva. No final das contas, estamos falando sobre diversidade, certo?
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